O Crescimento da Incidência das Doenças Mentais

O Fenômeno do Crescimento das chamadas “Doenças Mentais”

Observamos um contínuo crescimento de patologias depressivas. Observamos ansiedades, fobias, sintomas psicossomáticos, sintomas de pânicos e estresse em grande parcela da população. Encontramos, também, crescimentos de quadros depressivos acompanhados de sintomas e quadros psicóticos com paranoias e esquizofrenias. O mesmo se dando com a evolução do número de pessoas com disfunções alimentares, tais como Obesidade (quadros Bulímicos) e Anorexia, e de doenças decorrentes, tais como Hipertensão, Diabetes e Alterações da funcionalidade da Tireoide, entre outros. Descobriram-se remédios fantásticos para que as pessoas acometidas possam coexistir com a patologia apresentada e seus malefícios.

Alguns conseguem o equilíbrio, associando o tratamento medicamentoso com outras práticas terapêuticas e meditação, suspendendo o tratamento depois de algum tempo. Outros necessitam conviver com a medicação por toda uma vida, passando a administrar também os sintomas adversos provocados pela própria medicação e pela sua ingestão por tempo excessivo. Porém, os benefícios gerados ainda suplantam os males provocados pela medicação.

Os dados estatísticos sobre a produção e venda de medicamentos demonstram que os antidepressivos e ansiolíticos são os primeiros em vendas, mobilizando contas e valores milionários.

O que se pergunta é o que vem gerando tal evolução dos quadros de doenças consideradas doenças mentais e porque se busca tantos medicamentos para o alívio dos sintomas gerados por estas enfermidades.

Acredito que temos que ultrapassar os limites da reflexão e pesquisa da depressão como doença e procurar as respostas em outros horizontes.

Por muito tempo relatei a depressão como doença, patologia dos afetos, físico e mental.

Porém, sempre estive desconfortável com esta proposição. Por mais que pesquise sobre a depressão, seus sintomas, origens, aspectos históricos e desenvolvimento, percebo que os sintomas nada mais são do que sensações e sentimentos de característica humanas e que se manifestam naturalmente em decorrência do viver.

Passamos por lutos, por impotências e por sofrimentos. Os sintomas da depressão e suas características são naturais somente exacerbadas ou que aparentemente surgem desprovidos de sentidos aparentes no existir do indivíduo. Se a depressão fosse uma patologia física e mental, dificilmente ela teria solução, porém, não é o que observo na minha prática terapêutica. Temos a tendência à depressão porque somos humanos, não há necessidade de falarmos ou defendermos que a depressão é genética ou disfunções orgânicas e de hormônios ou de neurotransmissores. Tudo isso faz parte do humano e de suas características de ser, existir, sentir e perceber e interpretar o meio em que vive.

A questão é porque do crescimento da depressão, das disfunções alimentares e dos quadros ansiosos? Porque estamos cada vez mais sentindo a sua manifestação? Porque estamos intolerantes aos seus sintomas?

Para isso percebo que temos que refletir sobre os efeitos da nossa era pós-moderna, os efeitos da globalização em nossa forma de ser, do surto maníaco da tecnologia, do fracasso das relações, da necessidade de consumos, da cultura capitalista e tecnológica e das superficialidades das relações. Dos medos que enfrentamos e das incertezas em relação ao futuro. Focarmos na fatalidade de termos perdido o “sentido de ser”.

Léo Baroni