A Existência como Sentido

“A existência como sentido”?

Sentido do quê? Para quê? Esta frase muitas vezes não faz sentido nenhum.

O sentido deve ser exclusivamente pessoal. Minha vida deve ter sentido única e exclusivamente para mim. Porém, Muito se faz para que os sentidos individuais tenham uma conotação maior ou mesmo ideológica.

Até o início do século passado, estávamos voltados a acreditar que a vida somente fazia sentido se tivesse algo de força maior. Acreditávamos que havia uma essência e que deveríamos buscar esta vocação que já existia mesmo antes da minha própria concepção. Depois, a vida tornou-se somente isso que a temos, algo que não faz sentido nenhum, aliás, o único sentido é de que não há sentido nenhum a ser alcançado ou trilhado. O sentido torna-se algo próprio, algo pertencente ao meu imaginário, onde eu posso tornar-me quem eu quero ser. Tenho sempre transtornos para alcançar este intento, mas, é algo que me compete: pertence ao meu imaginário e depende de meus esforços e criatividade. Isso me isola do padrão de pertencer à alguma coisa maior que eu mesmo, do divino, porém, torna-me o próprio divino. Esta mesma reflexão é apropriada para o sentido de grupos, de comunidades e mesmo da própria cultura.

O sentido na pós-modernidade que quer empreender está vinculado à padrões de Normalidade, onde nem sempre todos podem trilhar.

Tenho uma profunda sensação de que estou sempre atrasado. Quando penso que chegou o meu momento de desfrutar de alguma coisa, as regras mudam e não posso mais ter aqueles benefícios de vida que anteriormente eram seguros.

Isso se aplica também ao sentido de existir. Porém, gosto de saber que o meu sentido de existir é existir plenamente e que eu me construo nesta jornada. Que sou responsável pela minhas escolhas e que são ela s que me dão a essência que busco,

Claro que às vezes isso me desconcerta e me envergonha. O que posso fazer?

A depressão de ordem moral tem ligação íntima com este “envergonhar-se de si mesmo”. Pois não se está em conformidade com o que se espera de mim.

Léo Baroni